![]() Construção do Estaleiro no Titanzinho é ilegal e afronta história das comunidades Enquanto o governador Cid Gomes é enfático em afirmar que o estaleiro só pode ser construído na praia do Titanzinho, as comunidades organizadas do Serviluz, em Fortaleza, continuam com mobilizações alertando a toda a sociedade que a proposta de construção do empreendimento é ilegal, pois fere o Plano Diretor, já aprovado no final do ano passado pela Prefeitura de Fortaleza, em amplo debate com setores dos movimentos sociais. Além disso, o projeto ambicioso do Governo do Estado não leva em consideração os aspectos culturais, sociais e ambientais que permeiam o cotidiano de milhares de moradores e moradoras do Serviluz. Esta atitude – afirmam os movimentos – só evidencia o despreparo e a falta do compromisso do governo Cid para com os seus eleitores e para com a população da capital cearense. Mostra, ainda, que o governador e seus assessores não conhecem a realidade não só do Titanzinho, mas de todas as outras comunidades que estão na periferia da cidade. “Criar um projeto desse porte dentro de uma comunidade com forte valor histórico e cultural é uma falta de respeito. Entendemos que o projeto pode trazer benefícios econômicos para o estado, mas por conta disto, ele não poderá passar por cima da história e cultura das pessoas, cujos valores não são estimados em dinheiro”, disse Lucimeire Calandrini, do Movimento dos Conselhos Populares. Resultado de uma luta que levou quase seis anos para se concretizar, o Plano Diretor da Cidade de Fortaleza coloca o Serviluz como Zona Especial de Interesse Social (Zeis). Dentro dessa proposta, a área está aberta para investimentos em regularização fundiária. Nesse caso, seria obrigação do governo fomentar o reconhecimento, a cultura e a sustentabilidade do local e não destruí-lo com propostas ditadas por interesses econômicos alheios às reais necessidades das comunidades. Pesa ainda sobre a construção do empreendimento a questão ambiental. Ponto de encontro para surfistas, a praia serve de espaço para atividades do surfe, algumas inclusive beneficentes que atendem à crianças e adolescentes da área. Teme-se que a efetivação do projeto altere o curso natural das ondas. O estaleiro também comprometeria os trabalhadores e trabalhadores que vivem da pesca. Vale salientar que tanto a Semace como a Semam já foram orientadas pelo Ministério Público Federal a não conceder qualquer tipo de licença ambiental que permita a execução da obra, até que o assunto seja investigado de forma devida. “O Serviluz que queremos” No próximo dia 27 de fevereiro, organizações do bairro realizam o seminário “O Serviluz que queremos”. A ideia é centrar as discussões em temas que interferem diretamente no dia a dia das comunidades e reforçar o processo de formação para a constituição do Conselho Gestor do Plano Diretor da cidade. De acordo com o Movimento dos Conselhos Populares, enquanto Conselho Gestor e representante dos movimentos populares engajados na defesa do Titanzinho, não será permitido, em nenhuma hipótese, a construção do estaleiro. “O governo não pode passar por cima de um a lei já aprovada”, afirmou. Acrescentou que é preciso fazer pressão para que o decreto que regulamenta o Conselho Gestor seja baixado. Abaixo, a carta em repúdio à construção do estaleiro: CARTA ABERTA DAS ORGANIZAÇÕES POPULARES DO SERVILUZ DE REPÚDIO A INSTALAÇÃO DE UM ESTALEIRO NO BAIRRO SERVILUZ As organizações populares do Serviluz vêm reafirmar sua rejeição a instalação de um estaleiro no nosso bairro, destruindo a praia do Titanzinho. Na semana que passou vimos uma série de informações sobre o assunto na imprensa. Segundo noticiado, o governador afirmou que o empreendimento não trará impactos ambientais e sociais. É mentira. É consenso entre os ambientalistas sérios da cidade que o impacto será imenso e não afetará somente o Serviluz mas toda a orla de Fortaleza. Quanto aos impactos sociais, estes são óbvios – removerá famílias, afetará práticas esportivas e culturais, destruirá ainda mais a identidade e os laços comunitários, inclusive porque o governo aposta na divisão e no confronto na comunidade para fazer valer sua vontade. Faz tempo que pedimos melhorias para o bairro. Agora, o governador diz que se tiver o estaleiro investirá em saneamento básico, trabalho e esporte. Será que o governador não conhecia as carências do bairro ou será que ele está querendo nos chantagear e dizer que só investe se aceitarmos o estaleiro? Bastava ele investir os 60 milhões de reais que vai doar à PJMR (uma empresa privada) em infra-estrutura urbana e social que seria uma verdadeira revolução de melhorias no bairro. As melhorias que o bairro precisa deveriam ser obrigação do Estado e não um capricho autoritário do governador. O povo não é bobo. Sabemos que o Serviluz é uma Zona Especial de Interesse Social. Sabemos que o Plano Diretor define o Serviluz como área prioritária para investimento em regularização fundiária e infra-estrutura. Exigimos o cumprimento da lei. Pedimos à Prefeitura, Câmara de Vereadores e Ministério Público que defendam o meio ambiente e os direitos conquistados pela comunidade. Estamos prontos para lutar pelo Serviluz que queremos. Assinam: Escolinha Beneficente de Surf do Titanzinho CONTATO: Movimento dos Conselhos Populares Meire (85) 9983 5589 Pedro (85) 8775 9305 Igor (85) 8736 2687 « voltar » 16º Grito dos Excluídos e Excluídas rumo à construção de um projeto popular » Dom José Luiz Ferreira Salles convida todos (as) a participar do Grito dos Excluídos e Excluídas |